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 ENTRE NÓS 

Entre Olhares: Qual foi a tua curta favorita da sessão [Curtas À Primeira Vista 3]?

João Brás: A minha curta favorita… deixa pensar… Eu gostei bastante da última ["A Entrevista" (2021) de António Paula]. Achei super interessante até porque tem um tema muito interessante de explorar e, ainda por cima, baseado em factos verídicos. Acho que ainda ficou mais interessante e assustador.

Também gostei bastante do documentário, o documentário dos pagadores de promessas, ["À Sombra do Céu" (2021) por Ana Carolina Duarte e Miguel Atalaia]. Aliás, os dois documentários achei que estavam incríveis.


Entre Olhares: O que dirias às pessoas que ainda pensam que o cinema português é aborrecido, que têm a referência de um cinema muito intelectual, académico e lento?

João Brás: O que eu diria às pessoas… acho que estamos muito focados numa fase da cinematografia portuguesa antiga que é muito parada, que é ainda muito a fase de Manuel de Oliveira. Eu acho que cada vez mais os próprios jovens realizadores têm mostrado trabalhos incríveis e acho, sinceramente, que as pessoas deviam investigar mais não é? (...) E não ver só filmes ingleses, mas também ver filmes portugueses que acho que é importante e principalmente apostar nos jovens, porque estar aqui num festival e estar a ver um trabalho cheio de jovens acho que incentiva também para que eles produzam mais e melhor.




 

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JOÃO BRÁS

REALIZADOR "VERANICO"

Entre Olhares: Também pode haver mais representatividade. A tua realidade, ser uma pessoa nova e veres alguma coisa parecida com o que experiencias na tela também é bastante interessante.

João Brás: Sim, sim, acaba por ser bastante interessante, porque estamos todos a fazer a mesma coisa, não é? Claro que diferentes temas e de diferentes formas, mas estamos todos a tentar levar o nome do cinema português para outros níveis.

Entre Olhares: Tens alguma referência nas tuas obras e na tua visão artística?

João Brás: Neste caso no "Veranico" (2020), eu inspirei-me também um pouco no [Andrei] Tarkovsky, o realizador que fez o "Mirror" (1975). Achei muito interessante como ele utiliza o próprio fogo no filme dele, então quis representar um pouco disso neste filme.

Entre Olhares: Para acabar, queremos fazer uma mini playlist de todas as recomendações que os realizadores nos deram e era para perguntar aquele filme que a pessoa tem de ver antes de morrer. A tua melhor recomendação. (risos)

João Brás: Deixa pensar… eu gosto bastante do "Cinema Paradiso" (1988) [de Giuseppe Tornatore] gosto imenso desse. É um filme um pouco longo, mas acabo por me relacionar, até porque também é como se fosse um cineclube e acho que a pessoa acaba por se apaixonar pela própria personagem principal e ver a evolução, o crescimento dessa pessoa, por isso é um filme que eu recomendo, sem dúvida.