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 ENTRE NÓS 

Entre Olhares: Já estiveste na sessão de ontem [Curtas À Primeira Vista 2] e estiveste presente na sessão de hoje [Curtas À Primeira Vista 3] - qual é que foi a tua curta-metragem favorita?

Leonor Arrimar: Na de ontem… eu gostei de bastantes. Ontem estiveram curtas bastante interessantes, mas a última captou-me bastante a atenção, a "Rewind" (2021) [de Vasco Horta]. Acho que está muito bem conseguida, a questão daquele vídeo super 8 com a imagem real e toda aquela questão que depois o realizador disse que não eram atores, mas sim dançarinos que estavam a fazer de atores. Eu achei isso muito interessante, porque de facto corporalmente estava tudo muito expressivo, e muito plástico até, e toda a relação dos bailarinos/atores com o meio, com os objetos, com aquela coisa do vidro está fantástico. Gostei bastante.

Entre Olhares: Quais são as tuas referências? Podem ser estéticas, podem ser narrativas.

Leonor Arrimar: Eu sou mais de animação, gosto muito de animação, claro que vou dizer aquele cliché da Disney e da Pixar, claro (risos). Cresci a ver esses filmes, na minha antiga VHS (risos) e, pronto, sempre me acompanhou e é uma estética que eu gosto bastante, especialmente o 2D, claro, apesar de gostar na mesma dos mais recentes em 3D. Há um filme, uma curta-metragem, que eu sempre adorei e, que levo sempre no meu coração comigo que é a "Estória do Gato e da Lua" (1997) do Pedro Serrazina. Que aquilo... é tudo, é narrativa, a animação, a música, eu considero aquilo um pináculo quase do que animação deve ser é das referências mais...

Entre Olhares: Aconchegantes, mais próximas... (risos)

Leonor Arrimar: Sim, exato.

Entre Olhares: O que dirias às pessoas que ainda pensam que o cinema português é aborrecido?

Leonor Arrimar: Convidava-as a vir a estes festivais, exatamente para, se calhar, terem uma outra visão e talvez pensarem duas vezes antes de fazer esse tipo de afirmações. (risos)





 

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LEONOR ARRIMAR

REALIZADORA "VIAGEM À LUA"

Entre Olhares: Até porque os festivais, não só o Entre Olhares, mas em geral, apostam em realizadores novos, visões artísticas que estão a acontecer agora, que acabam por ser atuais.

Leonor Arrimar: É verdade. É engraçado que os jovens realizadores, muitos deles vêm do contexto escolar, como estavam a dizer há bocado (na conversa pós-sessão), é incrível como é que há tanto jovem a fazer tão bom cinema quase do zero, do nada, é incrível. E acho que vai haver um bom futuro, espero eu, para as próximas gerações de realizadores cá em Portugal, por aquilo que tenho visto em festivais tem sido bastante interessante.

Entre Olhares: Este é o teu primeiro festival?

Leonor Arrimar: Não, já estive no FEST, em Espinho, também fui selecionada para o FESTinha, que é a secção para os mais pequeninos e estive lá dois dias, foi muito interessante. Não só para ver, lá está, cá, lá fora, como também para ter contacto com alguns realizadores mais ou menos experientes, foi bastante interessante e dá, de facto, uma visão deste mundo que muitas pessoas não conhecem. É pena, porque se faz coisas tão boas cá em Portugal e fazem-se coisas tão boas nas escolas de cinema e de audiovisual que é pena não terem mais projeção.

Entre Olhares: Nem é um ambiente propriamente formal, é uma atividade onde se pode fazer com amigos.

Leonor Arrimar: Exatamente. E mesmo para os próprios realizadores, esse ambiente informal é muito natural. Como têm colegas que tiram o curso com eles, começam a formatar um grupo e depois a possibilidade de vir a estes festivais faz com que consigam relacionar-se com outros realizadores que têm outras experiências, mas têm a mesma visão escolar, não é? Que é interessante que de certa maneira, é um certo networking que funciona bastante bem, a meu ver.

Entre Olhares: Para acabar, nós gostaríamos de fazer uma playlist com as recomendações dos realizadores, ou seja, vou pedir-te um filme que seja a tua ultimate/derradeira recomendação. (risos)

Leonor Arrimar: Uff okay (risos) hummm… É difícil, porque eu não gosto muito de categorizar filmes. Eu quando gosto, gosto e quando não gosto, não gosto. Os que gosto, não consigo pôr assim numa escalinha. Há dois filmes que me marcaram muito ultimamente. O primeiro é o "Léon, O Profissional" (1994) do Luc Besson. Não sei, esse filme toca-me bastante, acho que é de uma humanidade e de beleza incrível. E outro que me marcou bastante também foi o "Mamã" (2014) do Xavier Dolan. Foi dos últimos filmes que vi, praí há um ano. E não há um dia em que não pense nesses dois filmes, portanto acho que sim, acho que é uma boa recomendação.